Promoção da Saúde

O grau de inserção ou de exclusão social pode ser entendido tanto como determinante do processo saúde-doença quanto da sustentabilidade ambiental e tem impacto significativo sobre a equidade social, demandando estratégias que estabeleçam conexões entre meio ambiente e saúde.

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Quando o território no qual estas políticas são implementadas constitui área de preservação ambiental, onde existem populações tradicionais, suas especificidades agregam complexidade às abordagens de gestão local e tornam ainda mais relevante o vínculo entre desenvolvimento sustentável e promoção da saúde. Processos históricos diferenciados determinam modos de vida próprios e distintos entre os povos do Brasil, ocasionando ao mesmo tempo riqueza sociocultural e invisibilidade perante a sociedade e as políticas públicas de modo geral, que se refletem na quase ausência de articulação e implementação destas, especialmente no que diz respeito àquelas de inclusão social (Setti & Gallo, 2009).

O território da Bocaina exressa as contradições do modo de produção e consumo hegemônicos, com impactos sobre os três pilares do desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo em que vetores do capital atuam e impactam negativamente, há um movimento social organizado que tenta conservar sua cultura e avançar em um modelo de desenvolvimento cooperativo, justo e sustentável: o Fórum de Comunidades Tradicionais Quilombolas, Indígenas e Caiçaras de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba.

Este cenário faz da Bocaina um território-laboratório privilegiado para desenvolver soluções a partir das necessidades identificadas pelos atores que nele atuam, especialmente as comunidades, resultando em tecnologias sociais que demonstrem a viabilidade de um novo modo de produção e consumo, melhorando a qualidade de vida, promovendo a saúde e apoiando a formulação de políticas públicas inovadoras. Contudo, é importante destacar que promover o desenvolvimento sustentável nos territórios destas comunidades quilombolas, caiçaras e aldeias indígenas não se trata apenas de desenvolver novas tecnologias sociais, mas principalmente de fortalecer e preservar os fazeres e saberes tradicionais, os quais em si são promotores de sustentabilidade e saúde.