O que somos

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Fruto da parceria entre Fiocruz, Funasa e Fórum das Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT), o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) é um espaço tecnopolítico para o desenvolvimento de soluções:

  • territorializadas
  • articuladas em outras escalas – regional, estadual, nacional e global
  • baseadas na ecologia de saberes,
  • que têm potencial para se tornarem estratégias regionais e alternativas visando a garantia dos direitos das comunidades tradicionais; especialmente os direitos relacionados ao território, à cultura, às atividades tradicionais, à saúde e à qualidade de vida.

No território de atuação do OTSS vivem e resistem cerca de cinquenta comunidades tradicionais caiçaras, indígenas e quilombolas; ameaçadas pela especulação imobiliária, por grandes projetos de construção e por empreendimentos turísticos predatórios. Junto com essas comunidades, a equipe do OTSS desenvolve ações e projetos com foco em:

O Termo de Cooperação que deu início formal ao Observatório foi firmado em dezembro de 2013. Em julho de 2015, foi inaugurado o Espaço OTSS – que é a estação sede do Observatório, localizada na Rua Araponga 502 (antiga Rua Colibri, 16), no Caborê, em Paraty (RJ).

Confira abaixo o vídeo da Inauguração do Espaço OTSS em Paraty.


Governança

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A equipe do OTSS é formada por técnicos e lideranças quilombolas, indígenas e caiçaras, promovendo o protagonismo dos comunitários desde as tomadas de decisões estratégicas até a execução das ações finalísticas. A coordenação geral do Observatório é dividida entre Vagner do Nascimento (FCT) e Edmundo Gallo (Fiocruz). A cada seis meses, atualizamos o planejamento estratégico dos próximos 12 meses, sempre com a participação ampla de todos os técnicos e comunitários, deliberando sobre recursos e estratégias, definindo prioridades e formulando ações. No cotidiano, a equipe interage a partir de uma Plataforma de Interação Online e de reuniões sistematizadas dos grupos de trabalho específicos, avançando na implementação de processos de monitoramento das ações cada vez mais dialógicos, participativos e efetivos. Em todas as decisões do OTSS, de todos os níveis, há uma premissa fundamental de verificação se a voz das comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras tiveram vez e foram ouvidas.

Estes detaques acima são aspectos do que buscamos e compreendemos como uma governança para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, entendemos a prática deliberativa na perspectiva do que é justo; e o desenvolvimento como processos nos quais as liberdades e capacidades individuais e coletivas são expandidas. Isto significa que o que entendemos por “governança” deve ser estruturado e operado para promover autonomia, equidade e justiça sociambiental. Portanto, as práticas e processos deliberativos do Observatório (OTSS) buscam continuadamente:

  • garantir a representatividade dos três grupos étnicos;
  • valorizar a cultura das três etnias;
  • apoiar a defesa e preservação do território;
  • combater a exclusão social e seus impactos na auto-estima destes sujeitos;
  • promover a integração geracional, respeitando a sabedoria dos mestres mais antigos e valorizando a energia criativa da juventude;
  • formação de laços com o território e entre todos os atores da equipe do OTSS e de parceiros;
  • vivenciar uma ecologia de saberes, valorizando os diferentes tipos de conhecimento igualmente – sendo que a ciência moderna é um destes saberes, sem nenhuma relação de hierarquia sobre os demais;
  • valorizar o conhecimento nativo, tradicional e popular;
  • fundamentar-se nas necessidades e prioridades do território;
  • compartilhar amplamante a gestão;
  • facilitar a convergência das agendas de trabalho das diversas áreas temáticas;
  • integrar as ações em variadas escalas – local, regional, nacional e global;
  • integrar os atores sociais que atuam no território;
  • promover a saúde no território – entendendo saúde em um sentido amplo, como um fenômeno multidimensional que envolve aspectos físicos, mentais, sociais e espirituais;
  • apoiar o desenvolvimento da autonomia destas comunidades – ampliando suas capacidades de intervenção social, suas habilidades de formulação e o protagonismo do movimento social.

 

 

 

Ecologia de Saberes

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O princípio fundamental das práticas do Observatório (OTSS) é a Ecologia de Saberes, tal como formulada por Boaventura Souza Santos: confrontando a monocultura da ciência moderna; reconhecendo a pluralidade de conhecimentos heterogêneos (sendo um deles a ciência moderna) e em interações sustentáveis e dinâmicas entre eles sem comprometer sua autonomia, compreendendo que o conhecimento é interconhecimento; e tendo por premissa a idéia da inesgotável diversidade epistemológica do mundo. Existem em todo o mundo não só diversas formas de conhecimento da matéria, da sociedade, da vida e do espírito, mas também muitos e diversos conceitos e critérios sobre o que conta como conhecimento.

Suportados por este princípio, experimentamos no OTSS o exercício constante de desconstrução da posição hieráquica opressora da ciência moderna como fosse a epistemologia mais verdadeira, para recolocá-la em uma posição de diálogo horizontal e fértil com os saberes quilombolas, indígenas e caiçaras, nesta busca pela produção de conhecimentos críticos que promovam a saúde e o desenvolvimento sustentável nestes territórios.

Redes

Nossa busca pelo desenvolvimento sustentável destes territórios – a partir da defesa e preservação dos modos vida indígenas, quilombolas e caiçaras – fundamenta-se em grande parte na formação ou participação em redes de solidariedade ou cooperação sintonizadas com nossos objetivos estratégicos. Nesse sentido, atuamos nas seguintes redes: