Educação diferenciada

Por uma educação que respeite e valorize a cultura e os saberes do território, uma educação crítica, conectada com a realidade local e global; e que busque e qualidade de vida de forma sustentável.

Não há como construir futuro, sem atuar na educação agora. A importância estratégica da educação fica evidente para o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) na medida em que se reconhecem duas grandes exclusões que ameaçam profundamente a sobrevivência dos modos tradicionais de vida dessas comunidades.

Uma primeira exclusão, mais urgente, é a simples impossibildade de acesso à educação escolar, vivenciada por algumas comunidades que não tem como conquistar a formação escolar socialmente exigida para se acessar outros direitos. Por exemplo, pescadores caiçaras que se tornaram pescadores “irregulares” devido a uma lei que exige um determinado nível de escolaridade para que possam registrar regularmente sua atividade econômica, apesar de que lhes foi e é continuamente negado o direito básico de acesso ao ensino fundamental, pois não há escola na comunidade, nem transporte público que viabilize o acesso a alguma escola.

Uma segunda exclusão, mais profunda, é a negação dos saberes e valores tradicionais pelo modelo político-pedagógico das escolas acessíveis a algumas dessas comunidades. O modelo convencional de educação implantado desvaloriza, a cada dia, os saberes e os modos de vida tradicionais e reproduz os valores hegemônicos de uma educação voltada para um mercado de trabalho limitado. Ao se formarem nos processos educacionais convencionais, as crianças e jovens das comunidades tradicionais, ao invés de terem sua autonomia, criatividade e auto-estima aguçadas, são massacradas com processos autoritários e excludentes, que vão desde o não reconhecimento na escola das expressões culturais e das linguagens caiçaras, quilombolas e indígenas até falas explicitamente preconceituosas de alguns professores.

Reconhecendo este contexto, o Núcleo de Educação Diferenciada do OTSS está desenvolvendo, junto com as comunidades do FCT e instituições parceiras estratégicas, uma política de educação diferenciada que considere as circunstâncias específicas deste território e se baseie em princípios político-pedagógicos que valorizem os saberes e fazeres tradicionais.
Definimos como próximos passos, as seguintes ações:
• Fortalecer o desenvolvimento da Escola Quilombola do Bracuí, em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF Angra), as quais já apoiam esta comunidade desde a luta pela transformação da Escola Municipal em uma Escola Quilombola.
• Fortalecer o protagonismo da comunidade caiçara do Pouso da Cajaíba na formulação do Projeto Político-Pedagógico da Escola Municipal local. Nesta ação, contamos com a parceria do Núcleo de Pesquisas sobre Educação Diferenciada do Colégio Pedro II (NEPEDif/CPII).
• Fortalecer processos de Educação Diferenciada da Aldeia Indígena de Itaxim, em Paraty-Mirim. Em destaque, está o apoio à luta desta aldeia em transformar a sala de extensão existente em uma escola independente.