Conhecendo o Território

Topo-pagina

O território que abrange os municípios de Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ) e Ubatuba (SP) é o coração da mata atlântica! A construção da BR101 na década de 70 trouxe a ameaça crescente de grileiros e da especulação imobiliária. As comunidades tradicionais se organizaram politicamente para resistir. No centro da resistência, estava e está a luta pela terra. Novas ameaças ao modo de vida tradicional surgiram: o turismo predatório e o desafio de conviver com as regras das unidades de conservação sobrepostas às terras de mais de 50 comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras. São 15 unidades de conservação, maciços florestais, ilhas, mangues, restingas, lagunas, cachoeiras, rios, mar...

Nesta luta por preservar e resistir, é fundamental produzir mapas sobre estes territórios. Os mapas não são politicamente neutros, não são um reflexo puro e objetivo da realidade. Mapas são uma construção subjetiva que carrega um território com representações e significados. Além de informar, os mapas tem a função de identificar o que é relevante (ou o de ocultar o que se deseja ser retirado) em um determinado território. As bases cartográficas e os mapas convencionais geralmente são produzidos por técnicos especializados sob o interesse de instituições públicas e privadas. São raros os mapas que defendem os significados das comunidades tradicionais, mais raros ainda os feitos pelas próprias comunidades.
Neste sentido, o Observatório (OTSS) desevolve dois eixos de atuação: 1) a produção de uma base de dados georreferenciados e 2) a cartografia social.

Base de dados georreferenciados – A sustentabilidade das comunidades tradicionais tem uma conexão direta com o conhecimento sobre seu território e sobre as práticas sociais constitutivas de sua territorialidade. Construir uma base de dados espaciais gera conhecimento sobre seu território e permite várias análises geoespaciais que fundamentam processos de comunicação e de tomada de decisão. Por esta razão, começamos a construir uma base de dados georreferenciados, capaz de apoiar ações de gestão, planejamento e comunicação do Observatório (OTSS) e do FCT. Foram desenvolvidas três linhas de trabalho: (a) desenho, (b) gestão e análise e (c) disponibilidade de informações.

Cartografia social – O desenvolvimento de mapas a partir da metodologia da cartografia social é uma ferramenta estratégica na preservação dos modos de vida tradicionais e, assim, na manutenção dessas comunidades em seus territórios. Ao invés de informações técnicas, o mapa social apresenta o cotidiano de uma comunidade. No mapa são colocadas localidades – rios, lagos, praias, mar, cemitérios, casas, igarapés... – além de atividades – áreas de pesca com cerco, áreas de pesca com rede boiada, roça... Como modelo inicial, a equipe do OTSS está desenvolvendo a cartografia social da pesca artesanal na comunidade caiçara de Trindade (em Paraty-RJ). Esta comunidade foi escolhida por sua pesca artesanal e seus modos de vida caiçara estarem profundamente ameaçados.