Diversidade de saneamento para os povos do campo no Brasil foi destaque do Seminário

A troca de diversas experiências de saneamento marcou o Seminário "Alternativas para para o Saneamento Rural" que aconteceu em Paraty no dia 30 de julho.

Realizado no dia 30 de julho na Casa da Cultura em Paraty o Seminário "Alternativas para o Saneamento Rural" com o objetivo de ampliar o diálogo sobre as possibilidades sustentáveis de saneamento nos territórios da região da Bocaina. O evento foi promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Nacional de Saúde (Funasa) junto ao Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), Comitê de Bacias Hidrográficas da Baía da Ilha Grande (CBH-BIG) e Prefeitura Municipal de Paraty (PMP).

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“O seminário tem uma importância muito grande porque falar de saneamento básico no Brasil é falar de um contexto em que metade da população não tem acesso a isso”, destaca Vagner do Nascimento, do Fórum de Comunidades Tradicionais e coordenador do OTTS. Segundo ele, a região em que se encontram as comunidades tradicionais de Ubatuba, Angra dos Reis e Paraty possui pouco acesso a isso, ainda que sejam locais famosos pelos “atrativos turísticos” de ampla visitação.

Diversas experiências de projetos de saneamento foram apresentadas nas mesas do evento. Além disso, o projeto de saneamento ecológico construído com parceria Fiocruz, Funasa, FCT, OTSS, Associação de Moradores da Praia do Sono,  Prefeitura Municipal de Paraty, que está sendo concluído. A abertura do Seminário contou com a participação do Jongo do Quilombo do Campinho.

Projetos territorializados de saneamento

“Meu sonho é voltar a beber a água no encontro do rio com o mar no Pouso da Cajaíba, ver o rio despoluído”, diz Franciso Xavier, conhecido como Ticote. Caiçara criador do Instituto de Permacultura Caiçara (Ipeca), ele acompanhou a implementação de todos os módulos do saneamento ecológico na praia do Sono.

Hoje o nosso saneamento faz parte do nosso roteiro de turismo de base comunitária (TBC). Recebemos grupos de escolas, universidades e todos aqueles que quiserem conhecer debater. Agora temos que caminhar outro degrau que é enfrentar a cura da doença com o saneamento”, salienta Jadson dos Santos, liderança da praia do Sono que também integrou a equipe do Saneamento Ecológico e atua com TBC na comunidade.

O pesquisador Tatsuo Shubo, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) pontuou  sobre o nexo da água e as ações relacionadas a alimento, energia e água devem ser olhadas a partir de uma integração maior, a partir de como cada território ocupa seu solo. “É fundamental que as comunidades tradicionais ocupam seus territórios e assim garantirem a preservação. Também precisamos buscar a mudança da cultura hídrica de abundância, para que as pessoas possam enxergar a água como um direito humano e também como um bem comum”, salienta.

Como construir um saneamento que contemple a diversidade de povos que há no Brasil?

A resposta a essa pergunta faz parte de um longo processo que está sendo elaborado chamado de Programa Nacional de Saneamento Rural (PNSR). “A grande diversidade das áreas rurais do brasil, junto a enorme quantidade de povos, culturas e tradições diferentes evidencia a necessidade de um programa que atenda a essa diversidade”, pontua Bárbara Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela faz parte de um grupo que une pesquisadores, poder público, instituições parceiras e os povos do campo que está de maneira participativa trabalhando na construção desse plano. “Há um déficit para as áreas rurais em contraponto com as cidades e os recursos não são bem direcionados, por isso, é urgente a necessidade de um programa específico”, completa.

“O seminário trouxe a importância da atuação intersetorial para fomentar políticas públicas nos territórios e houve a participação desses diversos atores, como a prefeitura, sociedade civil, comunidades tradicionais. Pra isso tem que envolver a saúde, a educação, a engenharia e a participação da sociedade civil”, pontua Gustavo Machado, coordenador do projeto de Saneamento Ecológico que trabalhou na produção executiva do seminário junto aos órgãos parceiros.

 

Texto Vanessa Cancian

Fotos: Eduardo Napoli

Editoração Eletrônica: Vanessa Cancian 

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