Mentes Abertas & Corações Pulsantes promove encontro sobre o impacto dos grandes empreendimentos nas comunidades tradicionais

Aconteceu dia 18 de maio na sede do OTSS em Paraty a “2ª Roda de diálogo: Caminhos para o Controle social sobre a indústria do petróleo”

“Passar um dia com pessoas interessadas em aprender, trocar conhecimento nos fortalece na capacidade de visualizar o cenário atual que vivemos. Os grandes empreendimentos estão espalhados pelo país afora e aqui nos nossos quintais querendo chegar”, é assim que Vaguinho, liderança caiçara da comunidades de São Gonçalo (Paraty-RJ) definiu o Mentes Abertas & Corações Pulsantes “Diálogos para Autonomia” - Grandes Empreendimentos e os Impactos nas Comunidades Tradicionais. A “2ª Roda de diálogo: Caminhos para o Controle social sobre a indústria do petróleo” aconteceu no dia 18 de maio, das 8h às 17h na sede do OTSS em Paraty (RJ)

“Esses encontros nasceram por meio do diálogo do OTSS e do FCT com o objetivo de fortalecer as populações impactadas por esse modelo de desenvolvimento devastador para os territórios, de que forma poderíamos fortalecer essa luta e essa população que está resistindo há anos para permanecer em seus territórios”, pontua Nahyda Franca do do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBase). Esse projeto é fruto de uma parceria entre o Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) junto com o IBase.

Segundo ela, a iniciativa tem como foco o olhar aos territórios que são protegidos, ou que estejam perto e sobrepostos a Unidades de Conservação, de população tradicional, como indígenas caiçaras e quilombolas e que em sua maioria, são impactados por toda movimentação da indústria de petróleo e gás. O “Mentes Abertas & Corações Pulsantes” é uma ferramenta educacional de formação direcionada e com participação ativa das comunidades tradicionais da região da Costa Vede que busca trabalhar assuntos técnicos que possuam relação direta com suas vidas.

“Geralmente esses empreendimentos e tudo que os envolve chegam atravessando as comunidades, com informações técnicas o que torna o diálogo complexo. Dessa forma, os encontros permitem que os comunitários possam ir aos espaços públicos mais apropriadas dos temas, se colocando,e compreendendo com realidade como tais ações afetam seus territórios, pensando junto estratégias de atuação, e se posicionam em frente aos impactos que forem identificados”, explica Thatiana Duarte, advogada do Fórum de Comunidades Tradicionais.

Para pensar as ações dentro do evento foi criado um Grupo de Trabalho (GT). Fazem parte desse grupo: Fórum de Comunidades Tradicionais, Comissão Guarani Yvurupá, FIPERJ, APA Cairuçu, FUNAI, IBase, Sapê, UFF, CODIG, Fórum Contra a Privatização da Ilha Grande, Coletivo de Educação Diferenciada, CONFREM, Linda Geo (Ubatuba), Aqlerj /CONAQ, Economia Solidária e Representantes das Associações Comunitárias do Território.

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Comunidades tradicionais por dentro de seus direitos

Vaguinho de São Gonçalo conta em entrevista a comunicação do OTSS sobre a importância desse tipo de processo. Leia mais abaixo:

Qual a importância do diálogo sobre esse tipo de tema?
Foi uma formação com muita qualidade, os temas abordados são muito importantes, aprendemos sempre um pouquinho.Falar sobre temas complexos de entendimento como, licenciamento ambiental, condicionantes, compensações, Pré-Sal, é uma forma ajudar socializar as informações para todos.

Como o acesso à informação contribui para os impactos dos grande empreendimentos?
As informações são um nivelamento mínimo para estarmos nos ambientes de tomadas de decisão com confiança para o debate. As comunidades tradicionais precisam deste tipo de ação, pois os impactos causados muitas vezes não são visualizados. Nossa luta é para provar que somos afetados todos os dias direta ou indiretamente e que ser respeitado é muito difícil e, por isso, muitas vezes se faz necessário recorrer às esferas judiciais para garantir um direito.

O que deve ser feito, em sua opinião, para a redução desses impactos no cotidiano das comunidades?
Os recursos obtidos de recursos naturais precisam servir de apoio para garantir a permanência da nossa cultura, do nosso território saudável e do nosso modo de viver. Todos impactos dos grandes empreendimentos nas comunidades precisam ser mitigados, compensados ou condicionados, é o mínimo que precisa estar previsto. Esperamos que as condicionantes sejam cumpridas e atendam as demandas das comunidades em busca do protagonismo dos povos tradicionais.

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