Liderança indígena de Angra dos Reis participa de encontro de povos tradicionais na Colômbia

Júlio Garcia Karai Xiju, representante da aldeia Sapukai, do bairro de Bracuí em Angra dos Reis participou do “2º Encontro Internacional de los Hijos de la Madre Tierra”, que aconteceu em Uribia – la Guajira. O local que sediou o evento é considerado a capital indígena do país e recebeu mais de vinte comunidades dos povos originários da América do Sul.

“O evento discutiu a biodiversidade das comunidades tradicionais, a educação diferenciada e como se dão as relações entre o governo e todas as populações tradicionais de cada um dos países presentes”, pontuou Júlio Garcia Karai Xiju, militante do Fórum de Comunidades Tradicionais e colaborador do Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) que representou a região com mais 4 indígenas de estados diferentes do país.

Xiju representou o Brasil em uma mesa que discutiu a cultura dentro do contexto das comunidades tradicionais. “Na ocasião, eu e os demais caciques alinhamos nossas falas como forma de representar de maneira unificada todas as populações tradicionais do país”, destacou a liderança.

“Ao mesmo tempo se fortalece o corpo e a cultura tradicional”, destacou. Segundo ele, sua fala ressaltou que as culturas tradicionais não podem se perder e que a saúde e educação caminham junto. “A boa saúde melhora a qualidade de vida e permite a prática da cultura de cada uma das comunidades. O xondaro guarani, o jongo dos quilombolas e as tradições caiçaras”, completa.

 

2º Encontro Internacional de los Hijos de la Madre Tierra
2º Encontro Internacional de los Hijos de la Madre Tierra

Lutas paralelas

Junto aos representantes de cada um dos países da América do Sul, Xiju relatou que a realidade dos povos tradicionais se assemelha em todos esses lugares. “O conflito e a luta pela demarcação dos territórios e a falta de apoio dos governos me fez ver que estamos na mesma luta”, disse. “No evento discutimos intensamente que para não perdermos nossa cultura, temos que divulgá-la em todas as mídias, nacional e internacional. Assim nos fortalecemos um ao outro, sabendo o que fazem outras populações tradicionais espalhadas pelo mundo”, finaliza.

“Eu divulguei também os projetos que estamos fazendo aqui em nossa região. Contei sobre o Fórum das Comunidades Tradicionais e o apoio da Fiocruz e da Funasa, pontuando que toda a América Latina pode também fazer para defender nossos territórios”, ressaltou o cacique. Xiju acredita que a organização que existe hoje nos movimentos sociais junto ao FCT e o OTSS pode-se ter esperança de ajudar mais comunidades e inspirar outros países.

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