12 comunidades se juntam para construir a Incubadora de Tecnologias Sociais do OTSS

“É muito importante estarmos aqui.
Estamos no mesmo barco, navegando e com o remo
em nossas mãos. Estamos juntos.”
– Sr. Altamiro, mestre caiçara da Praia Grande da Cajaíba (Paraty).

No dia 06 de abril de 2016, no Quilombo do Campinho, cerca de 30 representantes de 2 aldeias guarani, 3 quilombos e 5 comunidades caiçaras se juntaram à equipe do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) para avançar no desenvolvimento da Incubadora de Tecnologias Sociais (ITS) do OTSS. Esses participantes representaram seus empreendimentos comunitários, os quais estão em diversos estágios e em setores produtivos imbricados uns nos outros, como: Turismo de Base Comunitária (TBC), agroecologia, pesca artesanal, gastronomia, artesanato e outros tipos de produção cultural das três etnias.

Oficina Incubadora OTSS

1a etapa da Incubadora: diagnósticos e mobilizações.

Esta oficina marcou a conclusão da primeira etapa da incubadora. Desde o segundo semestre de 2015, a equipe do OTSS realizou mobilizações e diagnósticos preliminares de empreendimentos criados e geridos por comunitários das aldeias guarani Boa Vista (Ubatuba) e Itaxin (Paraty); dos quilombos de Santa Rita do Bracuí (Angra dos Reis), Campinho (Paraty) e Fazenda (Ubatuba); das comunidades caiçaras de Trindade, Sono, Praia Grande da Cajaíba, São Gonçalo e Pouso (Paraty), além de Picinguaba e Ubatumirim (Ubatuba).

Ainda nesta primeira etapa da ITS, foi realizado um estudo de viabilidade socioeconômica do Restaurante do Quilombo do Campinho e está em andamento um estudo do mesmo tipo na Unidade de beneficiamento da Associação de Bananicultores do Sertão do Ubatumirim – ABU.

A oficina e as próximas etapas

Na manhã do dia 6, os comunitários se dividiram em grupos de três a cinco pessoas e foram convidados a desenhar os diversos empreendimentos ou iniciativas produtivas existentes, dentro das cadeias produtivas do turismo e da agroecologia, de forma a visualizar os diversos arranjos, articulações e redes formadas ou potenciais.

No período da tarde, todos dialogaram sobre como a ITS deve funcionar. Foram identificadas necessidades e pontos positivos existentes nos empreendimentos mapeados. Concluiu-se que as diversas iniciativas levantadas constituem duas grandes cadeias produtivas: Agroecologia e Turismo de Base Comunitária. As iniciativas listadas foram: barqueiros, produtos beneficiados, farinha de mandioca, derivados de mandioca, artesanato, cestaria, oficinas de artesanato, grupos culturais, grupo de jongo, coral indígena, receptivos e roteiros de turismo, visitas a propriedades agroecológicas, hospedagem em casas, pousadas e campings, café na roça, restaurante, produção de banana chip, polpa de frutas, viveiro de plantas etc.

Oficina Incubadora OTSS

Conclui-se também que, entre as iniciativas, existem alguns empreendimentos “familiares” e outros “coletivos”, com suas dinâmicas específicas. As demandas foram compreendidas como referentes a cinco eixos temáticos: formalização, comercialização, comunicação, gestão e governança. Segundo Augusto Santiago, técnico do OTSS, a incubadora deve ser como uma cesta com ofertas destes cinco campos do conhecimento – “tanto de conhecimentos técnicos quanto os conhecimentos desenvolvidos por estas experiências já existentes”.

A partir dos resultados da oficina, deliberou-se que os próximos passos da ITS sejam a realização de: 1) partilhas para que os empreendedores conheçam melhor as experiências uns dos outros, trocando aprendizados e desenvolvendo possíveis cooperações; e 2) apoio técnico do OTSS para fortalecer estes empreendimentos. Foi informado que o OTSS já apresentou um projeto de captação de recursos do BNDES, em parceria com a Fiocruz, para apoiar Arranjos Produtivos Locais (APL’s) vinculados à essa incubadora. O projeto já foi aprovado pelo BNDES. Assim que os recursos forem liberados, a ITS ganhará mais fôlego para apoiar estes empreendimentos.

12_OTSS_Oficina_Incubadora_Proj_Sociais_06_04_16

Augusto explicou que existem muitos modelos diferentes de incubadoras. “Existem mais de 400 incubadoras só nas universidades brasileiras. Na sua maioria, seguem um modelo empresarial. Esta oficina serve para avançarmos no desafio de fazer um incubadora que tenha a nossa cara”, afirmou.

“O que é a Incubadora de Tecnologias Sociais? Pode ser como um mangue, berçário do oceano; ou como uma galinha chocando o ovo... As comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas já desenvolvem várias estratégias produtivas para suprir suas necessidades. Chamamos aqui estas diversas experiências para se reunir, para a gente se reconhecer, para vermos como estamos, para onde estamos indo e como podemos nos fortalecer. Como trabalhamos a geração de renda e trabalho nas comunidades? Quais passos precisamos dar para fortalecer esta rede, não na lógica do patrão-empregado, mas na lógica de apoiar e compreender o outro? Assim, viabilizarmos apoio na gestão, um bom aproveitamento das oportunidades de políticas públicas etc. A proposta da ITS é apoiar e qualificar ainda mais as estratégias já existentes nestas comunidades. Nesta oficina, reconhecemos onde estamos, estamos em um momento de transição. E começamos a visualizar para onde vamos. Nossa incubadora não é como as empresariais. Nossa incubadora deve se orientar por como os empreendimentos impactam na vida e no trabalho de cada um, deve estar sintonizada com o sentido de vida destas comunidades” – avaliou Fábio Reis, coordenador do Núcleo de Transição Tecnológica do OTSS.

 

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